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27/10/2008

Bom dia II

Sorriso Audível das Folhas

Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"



Porque...sim :)

13/06/2008

Aniversários

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
O Infante - Fernando Pessoa

Hoje é o 120º aniversário de Fernando Pessoa!
Ouçam este poema muito bem cantado por Dulce Pontes aqui
Se quiserem saber mais alguma coisa acerca dele consultem este site ou este blog (dica dada pela Petti )

07/04/2008

"Moon Pine" um momento... indescritível

Na passada 6ª feira tinha uns convites para ir ver a estreia mundial de uma peça feita com base nos poemas em inglês de Fernando Pessoa na Casa da música.

Conhecendo eu alguns dos seus poemas confesso que estava bastante entusiasmada por poder assistir a este concerto e pensei que seria uma bela forma de começar o fim-de-semana. Assim, combinei com a M. e lá nos encontramos à hora marcada. Tomámos antes um aperitivo e de seguida fomos para o concerto.

Antes de começarmos a ouvir a peça propriamente dita apareceu o autor da obra e entre outras coisas disse que Fernando Pessoa tinha nos seus poemas uma musicalidade enorme e que os seus poemas tinham imensa vida. Confesso que estava cada vez mais curiosa e imaginei que sendo o nome da peça "moon pine" a música, seria romântica, fosse numa vertente melancólica ou então alegre.

O autor sai, entram os músicos e eu que naqueles breves momentos tinha trocado umas breves palavras com M. disse: já estão nas afinações portanto vamos lá calar!
Passaram uns minutos e começo a ouvir também a soprano, que estaria grávida de ceerca de 6/7 meses, a afinar a voz...e pensei com os meus botões: que forma que esta gente tem de afinar...de tão desafinado que está isto até magoa os ouvidos! E a criança na barriga da mãe a ouvir tais guinchos até pensará que a mãe terá entrado em trabalho de parto.

Passam-se mais uns minutos e ao olhar para M. apercebo-me pelo seu olhar de pânico que aquilo não eram afinações mas sim o concerto propriamente dito!!!
Considero-me bastante eclética no que a música se refere mas nem podia acreditar que alguém pudesse chamar aquilo música, muito menos fazer daquilo uma obra...e tal pensamento deu-me uma vontade de rir que vocês nem podem imaginar. Tentei abstrair-me mas pressenti que M. estava como eu. Baixei os olhos e tentei pensar noutras coisas, abri a carteira, olhei para o telemóvel (que estava sem som) desesperada à procura de um qualquer sms que me tirasse daquela iminente barraca que seria dar uma gargalhada em pleno concerto.
E o desafino continuava e ganhava cada vez mais vida...a certa altura tentei perceber como estavam a reagir as restantes pessoas e descobri uma senhora na 1ª fila (nós estávams na 2ª) a olha para mim com ar de pânico como se me pedisse que tirasse daquele pesadelo. Mais espantoso de tudo foi um casal que se balançava, tentanto acompanhar a "melodia" da peça ...e o ar introspectivo deles era qualquer coisa de espantoso!!!!!

Posso dizer-vos que foram momentos dolorosos os que passamos até à música terminar e que pela primeira vez na minha vida saí da sala, pedi desculpa à assistente cá fora dizendo"desculpe mas isto é mau de mais para ser verdade" ao que ela assentiu muito prontamente!

Coitado de Fernando Pessoa...pergunto-me qual seria a sua reacção a ver a sua obra "interpretada" desta forma.