Deus escreve direito
Deus escreve direito por linhas tortas
E a vida não vive em linha recta
Em cada célula do homem estão inscritas
A cor dos olhos e a argúcia do olhar
O desenho dos ossos e o contorno da boca
Por isso te olhas ao espelho:
E no espelho te buscas para te reconhecer
Porém em cada célula desde o inicio
Foi inscrito signo veemente da tua liberdade
Pois foste criado e tens de ser real
Por isso não percas nunca o teu fervor mais austero
Tua exgência de ti e por entre
Espelhos deformantes e desastres e desvios
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento
Que é o teu sol tua luz teu alimento
Sophia de Mello-Breyner
Porque...gosto! :)
ps - Parabéns ao teu rebento Lenib
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12/07/2008
Bom Sábado
Posted by
Ka
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7/12/2008
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Labels: poesia, Sophia de Mello-breyner
17/04/2008
Sophia e o Jardim Botânico do Porto...
A quinta do Campo Alegre até 1759 foi propriedade da Ordem de Cristo, depois foi adquirida por um médico francês (Jean Pierre Salabert) e, por volta de 1875, é comprado por João da Silva Monteiro, um emigrante chegado do Brasil que manda demolir a casa antiga, construir outra e definir a estrutura do jardim. Em 1895 João Henrique Andresen, avô de Sophia de Mello-Breyner Andresen, adquire a Quinta . Será este comerciante de Vinho do Porto que recupera os jardins, impondo o estilo romântico dominante na época. Em 1949 é comprada pelo estado e passa a denominar-se Jardim botânico do Porto. Este belo espaço, votado ao esquecimento e por vezes um pouco mal tratado por falta de verbas, foi reaberto no ano passado e vale a pena ser visitado. Sophia de Mello Breyner Andressen passou grande parte da sua infância e juventude neste "território fabuloso" como lhe chamaria anos mais tarde a autora. 

Nas décadas de 40 e 50 tendo ficado com os filhos em casa por causa do sarampo, e não gostando da literatura infantil da época que segundo palavras suas "Mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da “mensagem”: uma criança é uma criança, não é um pateta. Atirei os livros fora e resolvi inventar. Procurei a memória daquilo que tinha fascinado a minha própria infância. (...) Nas minhas histórias para crianças quase tudo é escrito a partir dos lugares da minha infância.» (in Soares (org.), 1986: 19)..
E é nestas obras,como por exemplo "O rapaz de Bronze", "A floresta" ou "A Noite de natal" onde se vê a influência que teve a sua infância e juventude passadas da Quinta do Campo Alegre. Depois de lidas e passeando nos jardins, facilmente conseguimos entrar nos contos como se fôssemos parte interveniente dos mesmos.
Fica aqui um breve excerto de "A Floresta":
"Era uma vez uma quinta toda cercada de muros.Tinha arvoredos maravilhosos e antigos, lagos, fontes, jardins, pomares, bosques, campos e um grande parque seguido por um pinhal que avançava quase até ao mar.A quinta ficava nos arredores de uma cidade. O seu pesado portão era de ferro forjado pintado de verde. Quem entrava via logo uma grande casa rodeada por tílias altíssimas cujas folhas, dum lado verdes e do outro quase brancas, palpitavam na brisa.Era nessa casa que morava Isabel.Isabel nesse tempo tinha onze anos e por isso ia todos os dias da semana ao colégio, baloiçando a sua pasta cheia de livros ora numa mão ora na outra.Mas às quatro horas voltava para casa, lanchava a correr e saía para a quinta.Isabel não tinha irmãos e por isso sabia brincar sozinha e conversar com as árvores, com as pedras e com as flores.Todos os dias ela percorria a quinta. No Outono apanhava castanhas esmagando com o pé os ouriços verdes. No Inverno colhia violetas e camélias. Na Primavera trepava às cerejeiras para comer as primeiras cerejas doces, escuras e vermelhas. E também subia às árvores onde todos os anos havia ninhos, ninhos redondos feitos de ervas, folhas secas e penas e que tinham lá dentro quatro ovos verdes sarapintados de castanho. Caminhava por entre o trigo que era como um doce mar, aéreo e leve. Às vezes passava horas a ler sob o caramanchão onde as flores lilases das glicínias pendiam em grandes cachos perfumados rodeados de abelhas. Ou caminhava devagar na luz verde do parque escutando o rumor das altas copas dos plátanos. E conhecia o lugar onde, escondidos entre as ervas e folhas, cresciam os morangos selvagens.Em geral Isabel brincava sozinha. Mas às vezes passeava com o velho jardineiro chamado Tomé que era seu grande amigo. Tomé ensinava-lhe os nomes das árvores e das flores e Isabel ajudava-o a regar e a arrancar ervas más. E também com Tomé ela ia aos sítios onde não podia ir só. Pois a porta da estufa, a porta do galinheiro e a porta da adega estavam sempre fechadas à chave. Na estufa enorme, sob o telhado de vidro caiado, o ar era húmido e quente. Aí cresciam as avencas maravilhosas, finas e leves, as begónias roxas, as orquídeas verdes e sarapintadas com o seu ar de bichos venenosos, e outras plantas e flores que tinham nomes esquisitos escritos numa placa de alumínio atada aos seus pés com ráfia.No galinheiro Isabel distribuía o milho e logo uma multidão de galinhas a cercava cacarejando. Então ela gritava «Peru velho». E o peru logo respondia inchando todas as penas: «Glu, glu, glu». E havia sempre uma nova ninhada de pintos amarelos e castanhos. Isabel apanhava-os do chão com muito cuidado, rodeando com as duas mãos o leva calor das suas penas onde palpitava um pequeno coração rápido e aflito."
É um local onde a imaginação me leva a sonhar ser uma princesa do norte...
Vale a pena perderem, ou melhor investirem uns minutos e irem aqui ver os álbuns de fotos .
Fontes : aqui, aqui e aqui
Porque ...hoje é o dia da botânica!
Posted by
Ka
at
4/17/2008
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Labels: Dia da botânica, jardim botânico, Sophia de Mello-breyner
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