Tive uma avó maravilhosa, a avó Amélia.
Era uma senhora que além de todas as qualidades que tinha como ser humano tinha uma que se destacava: era muito independente e cheia de genica. Detestava incomodar quem quer que fosse e acima de tudo adorava viver, fazer as suas coisas, sair, ir tomar café com as amigas, ir às compras etc. A Certa altura foi-lhe diagnosticado o Parkinson contra o qual lutou até onde pode e só quando já o Parkinson lhe tinha tirado a mobilidade, a independência, a fala de forma irreversível é que a minha avó desistiu....mas não sem antes lutar com todas as suas forças. Esta minha avó e a avó de uma amiga minha que era também sua amiga eram as excepções no nosso grupo de amigos. todos os outros avós ficavam mais por casa, precisavam bastante do apoio dos filhos e já não eram vistos como parte activa na família.
Porque razão falo hoje deste assunto?
Porque estive de férias em Espanha, país que adoro principalmente pela forma alegre que as pessoas têm e levar a sua vida. E estando de férias tive oportunidade de observar mais uma vez que há uma grande diferença de atitude das pessoas perante a vida. E essa diferença nota-se no final das contas. A zona onde estávamos no norte de Espanha é uma zona não turística frequentada essencialmente por famílias. Na praia vivia-se um ambiente familiar, com muitas crianças, com pais tios, primos e....avós! E foram estes últimos que me chamaram a atenção.
A diferença de firma de estar na vida da 3ª idade portuguesa e espanhola é gritante. Quando falo de avós falo de pessoas que teriam 70/80 anos e que embora estivessem com a restante família de féria, faziam uma vida bastante independente mas sendo sempre uma parte activa na família. De manhã cedo já estavam na praia a fazer os seus passeios...e não imaginam a quantidade de vezes que faziam a praia de uma ponta à outra! Tinham também as suas cadeiras de praia onde se juntavam grupos a apanhar sol, à conversa, a fumar uns cigarros, iam ao bar beber "una Caña" e por vezes ficavam por ali a jogar umas cartas.
Havia uma senhora que deveria ter cerca de 70/75 anos e todos os dias de manhã estava com uma amiga mais nova na praia. Chegava, abria a sua cadeira, ia tomar um banho e sentava-se a ler o jornal e a falar com a amiga. Fuma imenso, cigarro após cigarro. E tinha um telemóvel onde recebia inúmeras chamadas e que para meu espanto, quando tive oportunidade de reparar melhor era um PDA!!!!
Havia também um casal da mesma idade em que a senhora andava sempre com cores alegres: biquíni( simmmm biquíni, cliquem na foto e vejam que lá está ela de touca amarela prontinha a tomar um banho logo de manhã) azul turquesa, ou vermelho, mas sem parecer ridícula. Faziam enormes passeios na praia, iam dormir a sesta mas à tarde lá estavam eles outra vez e eram dos últimos a sair da praia.
Realmente a 3ª idade espanhola tem uma diferença de atitude perante a vida. Não quer ser um estorvo, não exige atenção, assume-se independente, viva e faz questão de marcar essa posição. E com isto tudo continuam a ser pais e avós activos no núcleo familiar e isso via-se bem.
Assim vale a pena viver a vida! Mas é importante que tomemos consciência (ainda estamos a tempo disso) que a nossa atitude perante a vida é que marca a diferença...e no final das contas isso nota-se!