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08/02/2009

Português é bom - parte II

Foram duas horas deliciosas onde tive oportunidade de ouvir pela segunda vez outro dos nossos valores musicais, Marta Gonçalves em flauta Barroca.

Nascida em 1983 iniciou os seus estudos musicais aos 7 anos de idade e completou os estudos no Conservatório de Música da Caloute Gulbenkian de Aveiro com a classificação máxima de 20 Valores. Após ter sido bolseira no Royal College of Music em Londres, terminou em Julho de 2007 a licenciatura em Flauta moderna e Flauta barroca com a classificação "first Class With Honors" e encontra-se a terminar o Mestrado em Flauta Barroca, como Bolseira, no Royal College of Music em Londres.
Não só pela excelência da interpretação mas como também pela sua postura sóbria e pela sua simpatia é sem dúvida um valor a promover.
Aqui falo de Marta Gonçalves mas ainda há meses atrás tive oportunidade de ouvir, igualmente na Casa da Música, outros jovens talentos da interpretação música clássica e curiosamente começaram todos nas suas localidades e não nas grandes cidades o que significa que existem muitas pessoas de igual valor que levam a que estes jovens sigam em frente e sobressaiam. Afinal o que é Português também é bom.

Numa sociedade onde se promovem campeonatos de futebol como se fosse o estandarte Português, onde se fala de política e outros assuntos onde só temos onde nos envergonhar, é uma pena que a maior parte dos portugueses ignore que é representado por pessoas de excelência em vários pontos do mundo.

Português é bom - Parte I

Numa altura em que sentimos que tudo o que se passa neste país é mau, convém lembrarmo-nos de quem faz ou fez bem, como é o caso de Carlos Seixas.
Ontem fui ouvir a Orquestra Barooca da Casa da música tocar os concertos Brandeburgueses. Com a direcção musical de Lawrence Cummings, que também tocava cravo, era já certo que seria um excelente concerto (música barroca é para mim o ponto alto da música clássica), mas o melhor mesmo foi ouvir as Peças de Carlos Seixas, compositor Português do Sec. XVIII que muito jovem foi contratado como organista da Patriarcal.

Estando já na corte, quis o filho de D. João V, D. António, que o "Grande Escarlate" (Domenico Scarlatti) que se encontrava em Lisboa nessa altura, desse a Carlos Seixas algumas lições. Mas Sacrlatti tendo visto pôr as mãos no cravo, e conhecendo o gigante pelo dedo disse-lhe: "Vossa Mercê é que me pode dar lições" e ao falar com D. António disse: "Vossa Alteza mandou-me examinar pois saiba que aquele sujeito é um dos maiores professores que tenho ouvido!"

Ouvir Carlos Seixas, sabendo-o português e ainda por cima compositor de música barroca, entre outras coisas, levou-me a pensar que temos de facto um grave problema cultural uma vez que a maior parte das pessoas nem sequer sabe que temos na nossa história pessoas com este valor e mesmo os que sabem não o promovem.

Para a maior parte das pessoas os compositores de música barroca são J. S. Bach, G. F. Händel, J. Ph. Rameau, D. Scarlatti, G. Ph. Telemann e Carlos Seixas foi contemporâneo deles, tendo apenas vivido até aos 38 anos de idade. E apesar da parca idade com que morreu, mais um terramoto de 1755 (que provavelmente terá feito desaparecer a maior parte das 700 peças por ele compostas) Carlos Seixas deixou-nos mesmo assim peças suficientes para percebermos o génio que foi. Pena é que isso seja do desconhecimento geral.

ps - Para melhor o conhecerem façam uma pesquisa na internet