02/04/2008

COEURS

Thierry, que é agente imobiliário, tem tido dificuldades em encontrar um apartamento a Nicole e Dan, um casal de clientes difícil. Na agência, Charlotte, sua colaboradora empresta-lhe uma cassete de uma emissão de televisão que ela adora, “As canções que mudaram a minha vida”, um programa religioso de variedades que perturba fortemente Thierry. A irmã mais nova de Thierry, Gaëlle, procura secretamente o amor, chegando a recorrer a anúncios. Dan, militar de carreira que acabou de ser expulso do exército, passa os seus dias no bar de um novo hotel do 13º bairro onde confidencia a Lionel, o barman, as suas aventuras profissionais e sentimentais com Nicole. Para assegurar o bom funcionamento do serviço à noite, Lionel viu-se obrigado a contratar uma assistente para tratar do seu pai, Artur, um homem velho, doente e em fúria. O nome dela é Charlotte. É assim que o desenvolvimento de um personagem pode perturbar o destino de um outro sem que para tal o conheça ou o venha sequer a encontrar. Trailer

Conhecido pela sua já longa carreira iniciada por meados do século passado e que conta com filmes como "Hiroshima meu Amor" (da Margueritte Duras), Muriel e documentários de grande importância como "Noite e nevoeiro", Alain Resnais (que completará em Junho 86 anos) adapta para o cinema mais uma peça do dramaturgo Alan Ayckbourne, Private Fears in Public Places e muda o local de Londres para Paris.
Este filme segue os (des)encontros de seis personagens na procura de pontos de fuga à solidão, seja ela através da bebida, da fantasia ou de anúncios na internet. Mostra essencialmente a crueza da solidão na sociedade moderna, mas embora sendo triste, este filme não cai no melodrama uma vez que é sempre acompanhado de excelentes momentos de humor. A historia é tecida de forma a nunca termos momento de aborrecimento.
Embora seja passado sempre dentro dos mesmos cenários apenas com 6 personagens, é delicioso ver a forma como Alian Resnais consegue filmá-los com uma frescura sempre renovada seja através dos enquandramentos ou então pelos diferentes detalhes de decórs que nos apresenta de cada vez que volta ao mesmo cenário.
A neve, elemento constante durante todo o filme é um bom exemplo pois tanto é usada para nos mostrar a frieza emocional que percorre as grandes cidades, como confere uma aura poética que se cruza com o ambiente realista em determinadas cenas.
A música que acompanha todo o filme é belíssima mas ainda não a encontrei para a pôr aqui.
Confesso que fiquei curiosa para ver esta peça em teatro!

Mais uma boa sessão de cinema para quem não quer cair no consumismo do cinema americano...

7 comentários:

Maria P. disse...

Rica vida! Belo começo de Primavera aqui pelo Norte!...:)

Beijoca e boa tarde*

KNOPPIX disse...

Hoje vim almoçar à beira-rio, para aproveitar um pouco deste sol maravilhoso que hoje está no Porto :)

Beijinhos com sabor a mar :)

paulofski disse...

Dicas de fitas é com a Ka (risos).

Beijinho e continuação de um excelente dia.

Ka disse...

Maria,

Nem sempre...lol mas faço questão de aproveitar os bons momentos para compensar os menos bons* :P

Beijocas e uma excelente tarde


ps - Ia uma do 18 não ia????

Ka disse...

Knoppix,

Ai sortudo!!!!! E ainda por cima a fazer inveja aos outros :P

Pois eu não tive o rio mas tive passarinhos e uma bela aragem solarenga no M. A. lá para os teus lados....

Beijossss

ps - Quase não dá para trabalhar com estes dias....arghhhh

Ka disse...

Paulo,

Fitas de cinema únicamente :P pois de resto sou uma menina muito bem comportada :D

Beijos e um excelente dia!!!!!

Blue Velvet disse...

Amiga,
a música deste belíssimo filme é do compositor Hans Werner Henze.
Existe na Fnac uma compilação das musicas dele utilizadas em filmes, e também no Coeurs.
Beijinhos, veludinhos e bom fim-de-semana