02/04/2007

Voltem a viver como crianças que são!


Não sei que idades têm mas digo-vos a minha, tenho 34 e é com nostalgia que me lembro das séries da minha infância.O sítio do picapau amarelo, uma casa na floresta (esta era demais!!!), os cinco, etc etc...Faz-me muita confusão que crianças vejam os morangos ou a floribela, parece que ninguém se preocupa que mantenham a sua infantilidade ... a sua inocência... parece que agora até a crescer têm de o fazer depressa senão perdem o comboio!!!!!

Eu tive infância, sonhei, tive bonecas, tive clubes feitos com os meus amigos..hoje vejo as crianças agarradas à televisão, ao computador e faz-me muita confusão pois se por um lado o mundo evoluiu e têm de o acompanhar (aqui não critico, acho que devem estar preparadas) por outro lado o excesso tira-lhes tempo.. Tempo para sonhar, para viver, para sentir......No Outono por exemplo, tenho sempre a nostalgia dos meus tempos de infância... a excitação de começar as aulas estava associada ás primeiras gotas de chuva misturadas com os raios de um sol já diferente... o cheiro do Outono, da humidade nas folhas das arvores que tinham acabado de cair....Quem não se lembra de pisar as folhas que ainda estavam secas e que fazem aquele barulho característico. Ainda hoje em dia faço o mesmo sempre que encontro algumas.Falo disto pois não consigo ver as crianças a terem tempo para viverem estes pormenores tão importantes. Que falarão quando forem adultas??? Do recorde que bateram na PSP2??? Da conversa que tiveram no Messenger??? De um episódio da floribela ??Penso nisto tudo e lembro-me por vezes dos meus pais, da nostalgia que tinham em relação ao seu tempo de infância comparado com o meu... mas acima de tudo preocupo-me com os nossos filhos pois o tempo acelerou demasiado e a infância está mais curta!!!


Voltem a viver a infância como crianças que são!!!
Post escrito por mim há já alguns meses para outro blog

6 comentários:

Ka disse...

É por isso que resolvi escrever isto. É muito importante sabermos que por exemplo quando temos um filho, é como se fosse uma folha em branco... e tudo o que lá "escrever-mos" não pode ser apagado.

Eles seguem os nossos exemplos, mesm qundo não nos damos conta disso.

Qunto ao saudosismo, é bom que ele exista pois é também sinal que vivemos coisas boas.(mesmo com a consciência que as coisas mudam)

Beijinho

Liliana F. Verde disse...

As crianças são, hoje,a encarnação do stresse e da pressão "culturalista" dos adultos. Por isso, é que passam o tempo agarrados à televisão e ao messenger.

Ontem ouvi uma professora na rádio a dizer que tinha alunos em cuja casa havia, imagine-se!, 7 televisões!!!!

Se a televisão e o computador ocupam demasiado tempo na vida das crianças é porque as pessoas, sobretudo, os pais estão demasiado ausentes. Eu não tenho dúvidas nenhumas do que estou a dizer.

Conseguiremos viver sem televisão? E se fosse um dia só sem ela? Se calhar era bom de mais.

O que falta às gerações de hoje é uma vivência dos afectos perto da família... e não digo mais...

Ka disse...

Liliana,

Ora aí está uma coisa muito bem dita, falta a vivência dos afectos perto da família.

Aliás seguindo esta linha de pensamento, repare-se que hoje o queficiente mais importante não é o Q.I. (quoeficiente de inteligência) mas sim o Q.E. (quoeficiente emocional) na apreciação de um indivíduo e este Q.E. é o resultado do trabalho da família desde o nascimento da criança (claro que também há a parte genética mas não é totalmente condicionante). A maior pate das pessoas não sabe por exemplo que os 1ºs meses de vida são fundamentais para a estrutura emocional do ser humano. Mas isto vai ficar para outro post que eu ecreva

Anónimo disse...

Tens muita razão...

As pessoas dizem que estes miudos de hoje sabem tudo, blá, blá... Mas será mesmo assim? Parece-me que sabem muito do "virtual" e pouco do "real"...

Mas já nem vou por aí... O que também me espanta é o facto de os país se quererem cada vez mais descartar da educação/ convivência com os filhos. Quanto mais longe melhor - parece ser a receita de alguns. Muitos país querem é os filhos sempre na escola ( se pudessem até os deixavam lá a dormir! ) e que se eduquem por lá!
Depois vemos cada vez mais disparates com aquelas situações em que os pais tratam os filhos por você e os filhos tratam-nos por tu, havendo uma correspondência desta situação na relação entre pais e filhos. Os pais tentam tratá-los como adultos, mas eles não o são! É de uma frieza terrivel! Depois, alguns miúdos acabam por não ter um sistema de valores definido...

Pai: Ó Joãozinho, você ainda vai partir alguma coisa!
criança: F....-.. que chato!
Pai: Já falei consigo sobre a linguagem!
Nesse momento o miudo verte um copo numa outra mesa. O pai finge não ver, nem ouvir os protestos das outras pessoas. Não há repreensão...

( surreal, mas não irreal... )

Não são os miudos que estão a falhar, somos nós, adultos. O Materialismo parece quer corrompido os valores ( também queremos que os miudos já sejam os ocos novos-ricos que queremos parecer ser )e depois andaram por aí umas "tretas de teorias educativas", que lá por fora já murcharam e cairam de podres à algum tempo...

A televisão pode ser um problema... Mas não é tanto a televisão, mas aquilo que se vê. E a influência daquilo que se vê na vida quotidiana. Mas aqui a culpa é novamente dos pais... Acreditem! É sempre!
Por exemplo: Agora toda a gente quer as filhas vestidas à Floribella! Mas será que essas pessoas querem as filhas ou pequenas floribellas mentecaptas ( como a personagem original )?

Enfim...

Espero não falhar, como falha uma boa parte da minha geração...

Deixem os miudos brincar, sujarem-se, fazerem feridas nos joelhos! brinquem com eles, sujem-se com eles e estejam nas tintas para o que os outros possam pensar!

Acompanhem-nos!

Jinhos!

PS: Somos practicamente da mesma idade! :)

Liliana F. Verde disse...

Gostava de pegar numa coisa que disse o Sá Morais, o facto de serem o adultos quem está a falhar.

Pois, de facto, também começo a achar que são os adultos quem falha. Mas porque falham? Esta é uma questão primordial para podermos ajudar as novas gerações. As respostas podem ser muitas, mas o Sá Morais apontou uma, a do Materialismo, a que eu acrescento a do Utilistarismo.

Não tenho a mesma idade que a Ka e o Sá, nem sequer tenho filhos, no entanto, enquanto educadora, cada vez me apercebo mais de que os adultos querem transformar as crianças em autómatos, em pequenos génios, que têm de ser os melhores na escola, que têm de tocar um instrumento, de praticar um desporto (sempre bem ou muito bem, sem falharem!!!), etc., etc., etc. Se elas se desviam do padrão "génio" ou do padrão "felicidade" dos adultos, do "direitinho", acabam frustrados e demasiado ditados pelo que acima referi ser "a encarnação do stresse e da pressão 'culturalista' dos adultos".

Sinto, hoje, as crianças muito pressionadas por tudo o que referi.

No entanto, sem querer ser moralista, também me apercebo de que os pais são muito pouco ajudados na sua função social e educadora. Lembremo-nos de que, em Portugal, o papel de pai ou de mãe não é socialmente reconhecido. Um dos cônjuges que se digne ficar em casa a cuidar dos filhos é mal olhado socialmente, não tem quaisquer benefícios (um salário, como noutros países), não consegue retomar a sua vida profissional se tomar essa opção. E mais complicado é para os homens. A nossa sociedade machista relega para um plano secundário a função educadora do pai.

Os pais têm também, na minha opinião, pouca decisão na educação dos filhos na escola, senão vejamos como não se pode escolher a escola, de acordo com o projecto educativo, que o filho vai frequentar...


Enfim, se o problema está nos adultos, há que ajudá-los. Como? Que soluções? Por onde começar?Este século XXI está a precisar, de facto, de uma alteração de mentalidades. Mas como? Como, se Portugal e muitos outros países, em vez de apostarem na paternidade e na maternidade, na família, na educação para os valores e afectividade, optam pelo materialismo e utilitarismo disfarçados, tantas vezes, de "liberdade"?

Às vezes mete medo pensar como irão as gerações do futuro actuar e viver se só têm como modelo os adultos materialistas e utilitaristas...

Anónimo disse...

a minha namorada/mulher diz que eu sou uma criança grande.se vivêssemos a vida carrancudos e sem alegrias, partidas,alguns disparates e outras coisas mais, nao seria uma vida vivida em cheio, pois nao?

no entanto nao quer dizer que nao assuma as responsabilidades quando sou chamado a isso!

Já agora, tenho 26 anos.